O EXTRAORDINÁRIO PODER DA COOPERAÇÃO

“Estar juntos é um começo. Manter-se juntos é um progresso. Atuar juntos é um sucesso”.

— Henry Ford

Cada dia que passa, duas coisas ficam mais claras: uma, é que a sensação de solidão e incapacidade parecem crescer em projeções gigantescas. Outra, é que a necessidade de ajuda em várias – senão todas – as áreas da vida fica cada dia mais presente e gritando ora por nossa consciência, ora por nossa ação. Ambas produzem coisas não tão boas em nossas mentes e corações: medo e insegurança.

Veja que interessante: alguns escritores ressaltam que na Bíblia, por pelo menos 365 vezes (parece que até é uma para cada dia do ano!) aparece a orientação Divina “Não temas!” Você sabia disso? Se, de fato é esta a quantidade, ou não, não faz tanta diferença. Mas, uma coisa é certa: de Gênesis a Apocalipse a Bíblia está encharcada desta expressão.

Cada vez que nos tornamos apenas uma face, ou um número, no meio de um grupo ou de uma multidão de “amigos” numa rede social, nos damos conta de que, na verdade, estamos mais sós do que nunca: vemos “as faces” de nossos amigos (faces escolhidas e até editadas), ouvimos “as palavras” de nossos amigos (alguns clichés midiáticos ou frases de efeito desprovidas de sentimento), vemos “as diversões” de nossos amigos (algumas que nos provocam inveja ou desejo de competição), e por aí vai. Mas, no fundo, no fundo mesmo, nós realmente não vemos os nossos amigos, não ouvimos os nossos amigos e não sentimos os nossos amigos. Pior do que isso, pode ser a conclusão de que, no fim do dia, descobrimos que não temos amigos. Em outras palavras, toda essa ilusão virtual (mais “virtual” que nunca, uma vez que virtual significa “aquilo que tem possibilidade de existir”), parece estar apenas colaborando para a nossa amarga solidão.

Bem, diante disso, a alma berra. Berra porque começa e ter consciência dessa solidão e da consequente incapacidade de reação satisfatória. Berra, ainda que apenas e intensamente lá no fundo do nosso ser, ela berra por socorro, compaixão, ajuda.

O “Não temas” de Deus nos convoca a olhar – algo bem transmitido pela figura da cruz – em duas direções: vertical e horizontal. Olhar no sentido vertical é colocar os olhos do coração voltados para onde pode nos vir um tipo de socorro absoluto, como expressou o salmista, “levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Sl. 121:1,2), e recebemos ainda o conforto de expressões como a que Paulo faz em sua carta aos Filipenses, transmitindo-nos paz e enfática alegria quando diz “perto está o Senhor” (Fp. 4:5). Deus coopera e muito conosco!

Mas, precisamos também olhar no sentido horizontal. Isso diz respeito a olhar, voltando à figura da cruz, para os lados, mas para um lado de cada vez. Pode de ser que de um lado vejamos alguém disposto a nos auxiliar e nos ajudar, assim como pode também acontecer de, ao olhar para o outro, percebamos que há alguém com a mesma angústia de coração aguardando que uma mão humana, bem “humana” mesmo (talvez esta seria a mão de alguém que é mais espiritual do que se imagina), a alcance e lhe estenda ajuda, socorro e auxílio.

Precisamos aprender urgentemente a necessidade e o papel da COOPERAÇÃO. Hoje, em muitos meios, principalmente empresariais fala-se sobre “sinergia”, que, no fim das contas significa “cooperação entre grupos ou pessoas em benefício de um objetivo comum”. Ou seja, sinergia  significa cooperação. Simples assim.

Sinceramente, não precisamos sofisticar os termos, precisamos humanizá-los e torná-los cada dia mais compreensíveis e realizáveis. E a igreja – além da família – deve ser o laboratório pioneiro para que isso funcione.

Concluindo, COOPERAÇÃO É A PALAVRA DO MOMENTO: ao que se sente só, coopere com alguém, e eis que a solidão “vazará”, como se diz por aí. Coopere com alguém e veja como, em breve se manifestará um(a) cooperador(a) em seu caminho para lhe ajudar.

Mas, ao se apresentar para este processo de cooperação, gostaria de lhe sugerir apenas algumas atitudes práticas:

1. Esteja PRESENTE – ao vivo, ao lado.

2. Comunique-e com ATENÇÃO – olhe para o outro, ouça com atenção, fale o necessário.

3.  Expresse EMPATIA – Sinta o outro, busque compreender o momento e a situação do outro, demonstre compaixão.

No meio do caos social (cultural, político e religioso) no qual no encontramos, COOPERAÇÃO mútua é um antídoto, uma solução, uma cura para o mal que, percebida ou desapercebidamente, vem assolando cruelmente nossas relações com tudo e com todos.

KYRIE ELEISON! 

“Senhor, tenha misericórdia de nós!”

CELSO L. TAVARES

PASTOR /// AUTOR