UNUM NECESSARIUM

O NECESSÁRIO É O CENTRO, O ABSOLUTO E TEM VALOR ETERNO.

Houve um tempo em que as visitas entre famílias eram tradicionalmente muito frequentes. Numa época de calma e tranquilidade, via de regra, o domingo era também um dia de visitas, das refeições em comum, do almoço em família, dos encontros etc.

Mesmo antes desta Pandemia e do isolamento social, percebemos que os tempos mudaram e parece que ficamos todos cansados, estressados, preocupados com as coisas “urgentes” deste nosso mundo e nos esquecemos do significado de uma boa visita, que receberá atenção, ou talvez tenhamos até decidido deixar a porta da casa e de nossa vida meio trancada para não acolher boas visitas. Não queremos ser incomodados. Falta-nos, de maneira geral, hospitalidade. Aquela hospitalidade que nasce do coração.

No texto de Lucas 10:38-42, vemos o relato da visita de Jesus à casa de seus amigos Lázaro, Marta e Maria. Um episódio bem conhecido. Ele foi hospedado num certo dia por Marta e Maria e, naquele episódio, nos deparamos com uma das cenas mais emblemáticas que retratam a acolhida devocional de Jesus.

Lembre-se: estamos no Evangelho de Lucas, com sua narrativa de tom intensamente humanizada, que mostra um Jesus sempre movido por compaixão, indo ao encontro do ser humano em sua essência. Além disso, é um Evangelho que nos chama a caminhar: pelos relatos da Sua infância aos momentos de Sua crucificação, vemos que Sua vida foi uma caminhada da Galileia para Jerusalém. Esta caminhada, todavia, para nós, é o que chamamos de caminho do discipulado. Seguindo Jesus ao longo deste caminho aprendemos as lições de vida com o nosso Mestre e Senhor.

Nesta caminhada, Jesus nos dá uma lição linda e preciosa para a acolhida dEle e para a nossa vida nestes dias de tanta agitação: “Unum necessarium” – expressão em latim que se traduz “Uma coisa só é necessária”.

Geralmente somos tentados a pensar que Marta estava fazendo algo errado por não se portar como Maria. Mas ela estava seguindo o ritmo normal daquela cultura: concentrada no cômodo específico da casa, onde devia cuidar da comida para atender aos visitantes – naquela cultura da Palestina do 1° Século, as casas eram divididas em espaços para homens e espaços para mulheres, e assim também eram estritamente demarcados os papéis dos homens e das mulheres – que eram pelo menos 13 homens.

Marta, é inevitável essa comparação, se assemelha ao estilo de vida que impera hoje, de agitação, inquietação, preocupação, aparência. Um estilo de vida que está dentro do “normal” de sempre. Possivelmente cheio de atitudes legítimas, que abre espaço inclusive para algum momento religioso, mas, definitivamente, não consegue vivenciar experiências de tranquilidade, contemplação, escuta de Deus e paz. Consequentemente, vive sob o peso da obrigação, do cansaço e até da enfermidade física ou emocional.

Já Maria, estava numa outra situação. Mais uma vez vemos Jesus transpondo as barreiras culturais para se manifestar e ministrar ao coração humano sedento e faminto por vida verdadeira, por Deus. O Talmude observa que “é melhor queimar a Torah do que ensiná-la a uma mulher”. Mas Jesus é Deus, está acima das limitações e insensibilidades humanas e culturais. Segundo as palavras do próprio Jesus, “Maria escolheu a boa parte”. Ela escolheu, e escolheu a boa, a principal parte. Ela fez a opção de escolher dedicar atenção completa e exclusiva para Jesus. É certo de que isso lhe custou renúncias – Marta deixa isso claro. A boa parte era a coisa necessária. Ao renunciar algo, ela ganhava muito mais.

O centro do ensino de Jesus à Maria, também à Marta e, mesmo a nós hoje, está nesta declaração: Unum necessarium – “Uma coisa só é necessária”. Trata-se de uma atitude diante da razão de toda a nossa existência. A atenção e o acolhimento que direcionamos a Jesus, o Deus vivo. A coisa necessária é o centro de tudo, o centro da vida. A opção pelo “Unum necessarium” revelado em Cristo tem valor eterno, e por isso “não será retirado”.

O Deus que dirige a história, que tem até pisado no freio do mundo neste momento, nos ensina lições assim a fim de nos conceder maravilhosas experiências aos Seus pés, ouvindo Sua voz, renovando nosso ser, nos curando e nos capacitando para viver a vida e desenvolver os relacionamentos de forma que Ele seja glorificado, as outras pessoas sejam beneficiadas e nós vivenciemos a bênção do sentido pleno da nossa missão e existência. Nossa reflexão de hoje nos chama para experimentar este processo espiritual.

Tenhamos na mente e no coração a motivação da convicção e palavras como de Teresa de Ávila: “Nada te perturbe, Nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, Nada lhe falta: Só Deus basta”.

CELSO L. TAVARES

PASTOR /// AUTOR

O EXTRAORDINÁRIO PODER DA COOPERAÇÃO

“Estar juntos é um começo. Manter-se juntos é um progresso. Atuar juntos é um sucesso”.

— Henry Ford

Cada dia que passa, duas coisas ficam mais claras: uma, é que a sensação de solidão e incapacidade parecem crescer em projeções gigantescas. Outra, é que a necessidade de ajuda em várias – senão todas – as áreas da vida fica cada dia mais presente e gritando ora por nossa consciência, ora por nossa ação. Ambas produzem coisas não tão boas em nossas mentes e corações: medo e insegurança.

Veja que interessante: alguns escritores ressaltam que na Bíblia, por pelo menos 365 vezes (parece que até é uma para cada dia do ano!) aparece a orientação Divina “Não temas!” Você sabia disso? Se, de fato é esta a quantidade, ou não, não faz tanta diferença. Mas, uma coisa é certa: de Gênesis a Apocalipse a Bíblia está encharcada desta expressão.

Cada vez que nos tornamos apenas uma face, ou um número, no meio de um grupo ou de uma multidão de “amigos” numa rede social, nos damos conta de que, na verdade, estamos mais sós do que nunca: vemos “as faces” de nossos amigos (faces escolhidas e até editadas), ouvimos “as palavras” de nossos amigos (alguns clichés midiáticos ou frases de efeito desprovidas de sentimento), vemos “as diversões” de nossos amigos (algumas que nos provocam inveja ou desejo de competição), e por aí vai. Mas, no fundo, no fundo mesmo, nós realmente não vemos os nossos amigos, não ouvimos os nossos amigos e não sentimos os nossos amigos. Pior do que isso, pode ser a conclusão de que, no fim do dia, descobrimos que não temos amigos. Em outras palavras, toda essa ilusão virtual (mais “virtual” que nunca, uma vez que virtual significa “aquilo que tem possibilidade de existir”), parece estar apenas colaborando para a nossa amarga solidão.

Bem, diante disso, a alma berra. Berra porque começa e ter consciência dessa solidão e da consequente incapacidade de reação satisfatória. Berra, ainda que apenas e intensamente lá no fundo do nosso ser, ela berra por socorro, compaixão, ajuda.

O “Não temas” de Deus nos convoca a olhar – algo bem transmitido pela figura da cruz – em duas direções: vertical e horizontal. Olhar no sentido vertical é colocar os olhos do coração voltados para onde pode nos vir um tipo de socorro absoluto, como expressou o salmista, “levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Sl. 121:1,2), e recebemos ainda o conforto de expressões como a que Paulo faz em sua carta aos Filipenses, transmitindo-nos paz e enfática alegria quando diz “perto está o Senhor” (Fp. 4:5). Deus coopera e muito conosco!

Mas, precisamos também olhar no sentido horizontal. Isso diz respeito a olhar, voltando à figura da cruz, para os lados, mas para um lado de cada vez. Pode de ser que de um lado vejamos alguém disposto a nos auxiliar e nos ajudar, assim como pode também acontecer de, ao olhar para o outro, percebamos que há alguém com a mesma angústia de coração aguardando que uma mão humana, bem “humana” mesmo (talvez esta seria a mão de alguém que é mais espiritual do que se imagina), a alcance e lhe estenda ajuda, socorro e auxílio.

Precisamos aprender urgentemente a necessidade e o papel da COOPERAÇÃO. Hoje, em muitos meios, principalmente empresariais fala-se sobre “sinergia”, que, no fim das contas significa “cooperação entre grupos ou pessoas em benefício de um objetivo comum”. Ou seja, sinergia  significa cooperação. Simples assim.

Sinceramente, não precisamos sofisticar os termos, precisamos humanizá-los e torná-los cada dia mais compreensíveis e realizáveis. E a igreja – além da família – deve ser o laboratório pioneiro para que isso funcione.

Concluindo, COOPERAÇÃO É A PALAVRA DO MOMENTO: ao que se sente só, coopere com alguém, e eis que a solidão “vazará”, como se diz por aí. Coopere com alguém e veja como, em breve se manifestará um(a) cooperador(a) em seu caminho para lhe ajudar.

Mas, ao se apresentar para este processo de cooperação, gostaria de lhe sugerir apenas algumas atitudes práticas:

1. Esteja PRESENTE – ao vivo, ao lado.

2. Comunique-e com ATENÇÃO – olhe para o outro, ouça com atenção, fale o necessário.

3.  Expresse EMPATIA – Sinta o outro, busque compreender o momento e a situação do outro, demonstre compaixão.

No meio do caos social (cultural, político e religioso) no qual no encontramos, COOPERAÇÃO mútua é um antídoto, uma solução, uma cura para o mal que, percebida ou desapercebidamente, vem assolando cruelmente nossas relações com tudo e com todos.

KYRIE ELEISON! 

“Senhor, tenha misericórdia de nós!”

CELSO L. TAVARES

PASTOR /// AUTOR

5 PASSOS PARA FAZER ESCOLHAS SÁBIAS

5 PASSOS PARA FAZER ESCOLHAS SÁBIAS

Fazer boas escolhas nunca é fácil, seja qual for o estágio da vida em que estamos. Se estamos buscando o primeiro passo na carreira ou já estamos estabelecidos em um emprego e agora contemplando uma subida completamente diferente, pode ser difícil saber o caminho certo a seguir. Mas existem medidas que podemos tomar se quisermos fazer boas escolhas. Eu chamo essas etapas de cinco C’s na tomada de decisões.

O primeiro passo é CONSIDERAR. Devemos parar, pausar e pesar as opções, certificando-nos de que entendemos os fatos e os riscos. Tire um tempo para buscar conhecimento e evite entrar de cabeça tomando decisões precipitadas. Como cristãos, nosso tempo de consideração também significa gastar tempo em oração, pedindo sabedoria e discernindo o coração de Deus.

O segundo passo é CONSULTAR. Um dos aspectos mais importantes da tomada de decisão sábia é reconhecer o valor de um bom conselho. A Bíblia nos exorta a encontrar sabedoria através de muitos conselheiros: “Por falta de orientação, uma nação cai, mas a vitória é conquistada por muitos conselheiros” (Pv. 11:14, NVI). Isso não significa que seguiremos os conselhos de qualquer homem ou mulher nas ruas, mas que procuraremos pessoas sábias cujos conselhos respeitamos, por mais difícil que seja ouvi-los.

Em I Reis 12, lemos a história do rei Roboão, a quem o povo de Israel pediu que diminuísse o fardo do trabalho obrigatório. Quando o rei foi aos anciãos – considerados sábios -, eles o aconselharam a atender ao pedido do povo, dizendo-lhe que um rei que serve ao seu povo receberá um serviço fiel em troca. Mas Roboão não gostou do conselho dos anciãos, então ele procurou seus amigos. Disseram-lhe para aumentar a carga sobre o povo e governar como um tirano severo. Preferindo esse conselho, o rei aumentou a carga dos israelitas, que o mataram na rebelião que se seguiu. A lição? Ao procurar um conselho, tente ter certeza de que é um conselho sábio.

A CLARIFICAÇÃO (ou esclarecimento) é o terceiro passo no processo de escolha. Às vezes, é fácil pensar que uma sensação de chamado de Deus nos absolve do uso de nossas faculdades críticas. Depois de termos considerado e consultado, devemos passar um tempo testando nossas ideias e depois refletindo sobre o que foi revelado. Às vezes, todas as evidências apontam em uma direção, mesmo quando algo no nosso interior nos puxa para outra. Eu gosto de fazer listas de prós e contras nesse estágio, e o processo de fazer essas listas frequentemente revela que o que eu sinto do profundo do meu coração está certo.

(Durante esse processo de clarificação, é vital permanecermos abertos para ouvir do Senhor ao pedir que Deus fale em nossas vidas.  “Faze-me conhecer os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas” [Sl. 25: 4] é um versículo ideal a ser considerado quando estiver na fase de esclarecimento da tomada de decisão.)

Qualquer que seja a escolha que fizermos, o quarto passo é a CORAGEM. O desconhecido é muitas vezes assustador, e esse passo inicial pode ser o mais assustador de todos. Mas devemos respirar fundo antes do mergulho, seguros de que estamos fazendo o que cremos ser o certo. A Bíblia diz que, se formos corajosos em seguir os caminhos de Deus, Ele permanece conosco.

O passo final pode ser o mais difícil de todos. Seja qual for o caminho que tenhamos escolhido, devemos aprender a nos CONTENTAR. Paulo disse em sua carta aos filipenses que havia aprendido a se contentar, independentemente das circunstâncias (Fp. 4:11). É fácil, depois de tomar uma decisão fazer a pergunta “E se?”, especialmente quando as circunstâncias ficam, inevitavelmente, complicadas. Mas, nesse momento, prender-se ao arrependimento é desperdiçar energia. Nunca sabemos quais oportunidades interessantes podem estar nos esperando ao virarmos a esquina.

“Focus On The Family Ministry”. Tradução: Celso Tavares. 2020.

KEN COSTA
KEN COSTA

Igreja Holy Trinity Brompton de Londres

FRUTOS DE UMA FÉ CONFIANTE

Em uma de minhas recentes pregações, falei sobre a questão da fé que nos salva e não nos deixa ser envergonhados…. porque é uma fé verdadeira, sólida e centrada na Pessoa de Cristo… a verdadeira fé confiante em Deus. Me respaldei nas seguintes afirmações:

  • Crer é confiar e não temer.
  • Crer é confessar radicalmente Jesus como o objeto da sua fé.
  • Crer é ter o coração pacificado.

Nestes minutos aqui, agora, quero refletir com vocês sobre os frutos que essa fé deve estar produzindo, ou pode produzir, em cada um de nós à medida em que a abraçamos ou repensamos a veracidade do nosso compromisso com a fé que declaramos.

01

Por causa da fé somos atraídos a nos relacionarmos mais intensamente com Deus

Assim como a fé é um dom de Deus, ela também cria uma atração sobrenatural em nosso ser interior a fim de que busquemos uma relação mais intensa com Deus onde aprendemos acerca dEle, de nós mesmos, e de como nos relacionar com tudo e com todos os que nos cercam. Essa fé cresce e aprofunda neste relacionamento pessoal. A partir desta relação cresce não apenas o conhecimento, mas também a segurança, o aprendizado do sentido na vida e, acima de tudo o amor: e cada vez que amamos mais a Deus, aprendemos a manifestar amor às outras pessoas. Isto é um fato. E isso será demonstrado aí onde você está e vive: em casa, no trabalho, na escola, na igreja, nas redes sociais, ou mesmo a sós – na sua própria maneira de orar e até pensar etc.

02

Por causa da fé corremos ao socorro e aos cuidados de Deus sabendo que é, e sempre será absoluto

Nada nem ninguém substitui Deus. A fé enraíza não apenas esta informação mas, sobretudo a convicção deste fato. É a fé que nos faz correr para os braços do Pai: não como filhos perfeitos… mas como filhos que conhecem o coração misericordioso do nosso Pai Celestial. A fé nos veio mediante a graça e nos conduz à misericórdia. Que lindo isso, não é mesmo? Todo pai se alegra imensamente ao ver o filho ou filha correndo ao seu encontro – mesmo que seja depois de alguma “bagunça” que por acaso tenha feito… Deus plantou essa fé em nós: ela nos impulsiona a correr rapidamente para os braços dEle… seja em lágrimas, seja em celebração, seja em momentos de dúvidas ou de dificuldades, de medo ou incerteza… Ele sempre será o nosso socorro absoluto. Por isso, mais do que a imagem de uma caverna, Deus Se mostra agora a nós como Aquele de braços abertos esperando para nos abraçar, nos acolher e nos proteger.

03

Por causa da fé vivemos a realidade da vida aqui sem nos iludirmos com suas fantasias e, por isso, devemos ajudar outros a descobrir a vida que vai além

Todas as vezes que algum tipo de tragédia e catástrofes atingiram o planeta, o pensamento apocalíptico veio à tona. Não é diferente nestes dias. Todos pensam – e muitos temem – no fim do mundo. Mas, por causa desta nossa mesma fé, precisamos nos lembrar que há algo que precisa ser assimilado já em nossa mentes, corações e atitudes, a fim de nos ajudarmos e ajudarmos outras pessoas:

O fim deste mundo acontece para qualquer pessoa que morre: e sabe quantos estão morrendo e morrerão nestes dias? O que a nossa fé nos ensina sobre isso? Creio que seja um bom momento de pensarmos nisso (neste possível “fim da vida” a qualquer momento) para nós mesmos e para os outros… Usar nossas orações e comunicações a fim de que as pessoas com quem convivemos e conversamos possam ter acesso, como disse Paulo, “pela fé a essa graça na qual estamos firmes” (Rm. 5.2).

04

FAÇA UMA FAXINA GERAL EM SUA MENTE

Jogue fora tudo o que é sujo, amargo, imoral, injusto e que arquitete o mal –  O que a mente armazena desce para o coração e se torna linguagem e atitude – “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Fp.4:8); “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm. 12:2 – Bíblia Transformadora); “Deixem que o Espírito renove seus pensamentos e atitudes… Evitem o linguajar sujo e insultante. Que todas as suas palavras sejam boas e úteis, a fim de dar ânimo àqueles que as ouvirem” (Ef. 4: 23,29).

Assim, encerro esta reflexão com as palavras do apóstolo Pedro: “Deus, com seu poder divino, nos concede tudo de que necessitamos para uma vida de devoção, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para si por meio de sua glória e excelência. E, por causa de sua glória e excelência, ele nos deu grandes e preciosas promessas. São elas que permitem a vocês participar da natureza divina e escapar da corrupção do mundo causada pelos desejos humanos. Diante de tudo isso, esforcem-se ao máximo para corresponder a essas promessas.

Acrescentem à fé de vocês a excelência moral; à excelência moral o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a devoção a Deus; à devoção a Deus a fraternidade; e à fraternidade o amor. Quanto mais crescerem nestas coisas, mais produtivos e úteis serão no conhecimento completo de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas aqueles que não se desenvolvem desse modo são praticamente cegos, vendo apenas o que está perto, e se esquecem de que foram purificados de seus antigos pecados. Por isso, irmãos, trabalhem mais arduamente para mostrar que, de fato, estão entre os que foram chamados e escolhidos. Façam essas coisas e jamais tropeçarão” (II Pe. 1:3-11)

CELSO L. TAVARES

PASTOR /// AUTOR

INDO ALÉM DO MEDO!

“Eu temo, tu temes, ele teme. Nós tememos!”

Quem não tem medo de algo? O medo faz parte da realidade humana. Segundo a Psicologia, em determinados contextos, é até “saudável” ter certo medo. Isso em função de moderação e/ou limites

Mas não é por acaso que na Bíblia, do livro de Gênesis ao Apocalipse, encontramos Deus falando ao Seu povo, “Não tenham medo”. Jesus, o Deus que se fez gente, veio e chamou a atenção usando as mesmas palavras, “Não tenham medo!”. São dezenas de registros espalhados pelas páginas das Escrituras. A Bíblia nos mostra claramente que essa foi uma das questões existenciais que surgiram após o pecado no Éden ou, como muitos o chamam, pecado original. Em Gn 3:9,10, após o evento da queda em tentação do homem e da mulher, vemos isso claramente: “Deus chamou o homem e lhe perguntou: ‘Onde você está?’ Ele respondeu: ‘Ouvi a tua voz no jardim, e porque estava nu, tive medo, e me escondi.”  Eis aí o princípio do medo!

O medo que passará a fazer parte da vida de Adão está diretamente relacionado ao motivo de medo de grande parte, senão a maioria absoluta, dos seres humanos ainda hoje: o medo da morte. E por morte podemos compreender vários significados, mas especialmente a perda da vida em si. Com Adão, o negócio estava claro. Deus havia lhe dito: “Se você desobedecer a minha vontade – o direcionamento Divino – e fizer a única coisa que lhe disse para não fazer, você certamente morrerá (Gn. 2:16,17). Então, Adão, ao descumprir o que devia, se viu ameaçado de morte. Sua nudez não era apenas física, mas viu-se sem as roupas da justificação apropriada. Ameaça de ser não apenas “descoberto”, mas “derrotado” ou “destruído”. Aliás, sentir-se “ameaçado” está no centro do medo.

Dois dos maiores transtornos atuais – ansiedade e depressão – tem suas raízes no medo. Um medo que tem a ver com atitudes mas também com o tempo. Atitudes do passado ou o que o futuro está por trazer. Alguns traduzem filosoficamente o medo como “temor”, “surto violento”, “grande inquietação em presença do perigo real ou imaginário”. Ou seja, o medo é o que se expressa numa profunda insegurança existencial. Insegurança que se torna angústia. Sérgio B. Gregório diz que angústia “é o medo sem objeto: sua fonte é imaginária, desconhecida, inconsciente, vem de dentro de nós”. É difícil, em termos práticos, não correlacionar senão os termos, pelo menos as experiências, e o medo está no centro disso.

O escritor americano Mark Twain afirmou que “coragem não é a ausência do medo, e sim o enfrentamento dele”. Isso tem uma relação direta com o ensino bíblico-cristão sobre como lidar com o medo. Quando Deus vocacionou o jovem Josué a substituir Moisés na liderança e condução do seu povo rumo à terra prometida, Ele disse: “Seja forte e corajoso! Não tenha medo, nem fique assustado, porque o SENHOR, o seu Deus, estará com você por onde quer que você andar” (Js. 1:9). Em outras palavras, “Josué, não tenha medo. Não tema nem as ameaças! Eu, O Eterno – Aquele para Quem não tem limitação de espaço, tempo e poder – estarei ‘com você’ sempre. Sempre”.

 

E isto também nos remete às palavras de Jesus, o Deus Filho, quando disse aos seus discípulos em diferentes e até ameaçadoras circunstâncias: “Falei essas coisas para que em mim vocês tenham paz. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo” (Jo. 16:33), e “Eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt. 28:20). Gosto de enfatizar que este termo “eis” trata-se de uma partícula de sentença grega (idóu) que significa “Olha!” ou “Preste atenção!” Jesus estava chamando a atenção para a importância e essencialidade de sua declaração que seguiria: há fundamento para a coragem, para enfrentar a vida e seus desafios e ameaças, e o fundamento é o que desde o início dos tempos vem sendo anunciado, a companhia – presença e proteção – Divina.

Assim, podemos e precisamos aprender com estes princípios e ensinos. Repito a mim e a todos nós, integrantes desta cultura obesa de informações, “precisamos aprender!”.

Quando Adão se viu diante do medo sua atitude foi a que muitos de nós, semelhantemente, tomamos em várias situações. Ele mesmo disse, “tive medo, e me escondi”. Diante do medo, em muitos casos – senão na maioria ou talvez em todos eles – ao invés de o enfrentarmos com coragem, nós nos escondemos. Fugimos. Procuramos proteção para o nosso medo e não livramento dele: criamos justificativas, buscamos cavernas, refugiamo-nos em relacionamentos tóxicos, recorremos a vícios destrutivos, fomentamos a destruição vingativa de outros e assim por diante. Como observa Jordan Peterson, em seu livro “As Doze Regras Para a Vida”: “As pessoas com agorafobia (distúrbio de ansiedade) podem ficar esgotadas com o medo a ponto de não saírem de casa”, e “nossos sistemas de ansiedade são muito práticos. Eles entendem que qualquer coisa da qual fugimos é perigosa.  Essa tem sido atitude comum identificadas em pessoas de dentro e fora da religião, e da igreja.

O apóstolo Paulo, que escreveu a maior parte dos livros do Novo Testamento, pelo menos em dois momentos, nos deixou palavras que precisam nos encorajar a lidar com o medo com coragem. Escrevendo pastoralmente a Timóteo a fim de que enfrentasse os desafios ameaçadores do próprio ministério disse: “Porque Deus não nos deu espírito de medo (ou covardia), mas de poder, amor e moderação” (II Tm. 1:7), e escrevendo aos cristãos de Corinto ele declarou algo que deveria sacudi-los para a vida, tirá-los da zona de conforto e do medo, ao dizer que “em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos…Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos, sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco… Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (II Co. 4:8ss).

Portanto, se queremos lidar com o medo que nos aterroriza interiormente – e só nós e Deus  sabemos disso –, precisamos CRER EM DEUS. Crer em Deus não é um tiro no escuro. Crer em Deus é ir além dos nossos sentidos. Crer em Deus é ir além do nosso limitado conhecimento. Crer em Deus é crescer até mesmo na nossa razão, talvez poderíamos falar de ter uma  “absurda sensatez”. Crer em Deus é algo que procede do espírito, lá onde age o Espírito de Deus, onde a fé extra-ordinária se manifesta. Crer em Deus é não fugir. Crer em Deus é viver, viver livre.  Em termos absolutamente práticos, crer em Deus é ir muito além do medo.

 

 

O ANO NOVO PODE SER MUITO MAIS FELIZ!

Ao final de mais um ano há certas coisas que são praticamente inevitáveis: lembrar de fatos ocorridos ao longo do ano (bons ou ruins); anseio pela virada do ano para encerrar certos períodos negativos; desejo de mudar – para melhor, claro! –  de preferência mudanças que já comecem a acontecer bem no início do ano; planos renovados para áreas diversas da vida etc. Como disse, de uma maneira geral, é algo inevitável para praticamente todos nós. Todavia, há várias coisas que para nós, cristãos, nos são transmitidas e orientadas pela Palavra de Deus e faríamos muito bem a nós mesmos e aos outros se pudéssemos observá-las já a partir de agora, nesta época de virada para um ano novo. Dentre elas, gostaria de enumerar e considerar algumas, bem pontuais e de grande importância:

01

NÃO SE PRENDA ÀS COISAS RUINS DO PASSADO, mas caminhe com propósito claro rumo àquilo que lhe fará bem e trará glória a Deus

“Quero trazer à memória o que pode me dar esperança” (Lm. 3:21); “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3:13,14).

02

RENOVE A GRATIDÃO EM SEU CORAÇÃO

Sua maneira de pensar – seja a respeito de Deus, da vida, de você e dos outros – e sua maneira falar, e ainda o conteúdo de suas palavras influenciam sua mente e, consequentemente, suas ações e reações – “Façam tudo sem murmurações nem discussões” (Fp.2:14); “Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus…” (I Ts. 5:18); “O coração alegre embeleza o rosto…” (Pv. 15:13).

03

PERDOE E ORE POR QUALQUER PESSOA QUE LHE TENHA FERIDO

Isso é trabalhar libertação em sua própria alma – “Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus” (Mt. 5:44,45); “Porque, se perdoarem aos outros as ofensas deles, também o Pai de vocês, que está no céu, perdoará vocês; se, porém, não perdoarem aos outros as ofensas deles, também o Pai de vocês não perdoará as ofensas de vocês” (Mt. 6:14,15).

04

FAÇA UMA FAXINA GERAL EM SUA MENTE

Jogue fora tudo o que é sujo, amargo, imoral, injusto e que arquitete o mal –  O que a mente armazena desce para o coração e se torna linguagem e atitude – “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Fp.4:8); “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês” (Rm. 12:2 – Bíblia Transformadora); “Deixem que o Espírito renove seus pensamentos e atitudes… Evitem o linguajar sujo e insultante. Que todas as suas palavras sejam boas e úteis, a fim de dar ânimo àqueles que as ouvirem” (Ef. 4: 23,29).

05

APROFUNDE A SUA RELAÇÃO COM DEUS

Esta é uma forma de expressar um genuíno amor cristão – “Uma vez que vocês foram purificados de seus pecados quando obedeceram à verdade, tenham como alvo agora o amor fraternal sem fingimento. Amem uns aos outros sinceramente, de todo o coração” (I Pe. 22); “Por isso, agora eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros. Assim como eu os amei, vocês devem amar uns aos outros. Seu amor uns pelos outros provará ao mundo que são meus discípulos” (Jo. 13:34,35); “Filhinhos, não amemos de palavra, nem da boca para fora, mas de fato e de verdade” (I João 3:18).

07

NAS SUAS ESCOLHAS, DECISÕES E PRIORIDADES, VALORIZE ESSENCIALMENTE O QUE É ETERNO!

O que é efêmero, passageiro e provisório é definitivamente ilusório. Por isso, nem o orgulho, nem a pirraça, nem a cultura e tampouco o egoísmo podem imperar em nossos corações – “Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade” (Ec. 1:2); “Não ajuntem tesouros aqui na terra, onde as traças e a ferrugem os destroem, e onde ladrões arrombam casas e os furtam. Ajuntem seus tesouros no céu, onde traças e ferrugem não destroem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Onde seu tesouro estiver, ali também estará seu coração” (Mt. 6:19,21); “Não amem este mundo, nem as coisas que ele oferece, pois, quando amam o mundo, o amor do Pai não está em vocês. Porque o mundo oferece apenas o desejo intenso por prazer físico, o desejo intenso por tudo que vemos e o orgulho de nossas realizações e bens. Isso não provém do Pai, mas do mundo. E este mundo passa, e com ele tudo que as pessoas tanto desejam. Mas quem faz o que agrada a Deus vive para sempre” (I Jo. 2:15-17).

Eis aí, então, alguns princípios de Deus para vivência da fé e a experiência da vida plena já iniciada neste tempo (Jo. 10:10). Como pessoas que creem Deus, devemos almejar cumprir o que Ele nos estabelece, e nos esforçaremos por isso, ainda que nem sempre sejamos bem-sucedidos, todavia, não podemos deixar de seguir este propósito. Se cremos, de fato, em Deus, a partir da revelação do Evangelho manifestado em Cristo, não devemos apenas pensar em como será o ano novo, mas na oportunidade de termos uma vida nova… que se renova… de novo, e de novo.

A PATERNIDADE DE DEUS

Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: “Aba Pai”.” (Rm 8:15)


“A paternidade de Deus é um das grandes doutrinas fundamentais da Bíblia. É uma verdade preciosa que permeia todas as Escrituras, é abrangente e atrativa na amplitude da sua apresentação, e uma compreensão completa do seu ensino é essencial para uma apreciação de tudo o que o povo de Deus desfruta através das “abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Ef 2:7). Da mesma forma, é básica para endossar a verdade da filiação eterna do Senhor Jesus, um fato que está constantemente sob ataque e é repetidamente questionado. Este é um assunto que abrange toda a eternidade, é vital para tudo que a Palavra de Deus apresenta, tanto doutrinariamente como em relação às dispensações, e é muito desafiante e ao mesmo tempo confortador na sua aplicação prática. Em vista da abrangência e amplitude do assunto, devemos considerá-lo sob seus aspectos principais e variados.“ (J. Palmer)

Deus tem muitos títulos. Por exemplo, o primeiro título usado na Bíblia é Eloim (Gn 1:1), que ocorre cerca de duas mil e quinhentas vezes ao todo, e fala principalmente do Seu poder. Outro título é Adonai, que representa Deus como Soberano, Senhor, Mestre, e salienta Suas posses. Jeová e os títulos derivados refletem os atributos da Suapessoa e provisão. El Shaddai retrata o esplendor da Sua preeminência. O título usado em Efésios 1:17, “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória”, revela a totalidade das Suas características paternas.

JESUS REVELA O PAI
R.C. Sproul observa algo no início de sua análise da oração do Pai Nosso a partir da perspectiva deste “nosso Pai” da seguinte maneira: “O estudioso alemão Joachim Jeremias argumentou que em quase todos os orações que Jesus profere, no Novo Testamento, Ele se dirige a Deus como Pai. Para ter certeza, os judeus usam o termo “Pai” indiretamente por se dirigir a Deus como o Pai de pessoas, mas nunca por meio de um tratamento direto, no qual o orante se dirige a Deus em termos pessoais como “Pai”…o uso de Jesus do termo “Pai” na oração pessoal é um uso extraordinário.”
Muito da base doutrinaria para o ensino em torno da “Paternidade de Deus” vem do Filho, e em especial das diversas maneiras como Ele se dirigia ao Pai. Estas formas de se dirigir ao Pai fornecem amplas evidências do relacionamento Pai/Filho que é tão precioso para os que, através da regeneração, pertencem à família de Deus.

ABENÇOADOS INDIVIDUALMENTE
A bênção individual do cristão é uma verdade que é apresentada na carta aos Efésios. De acordo com o Seu caráter celestial, precisamos lembrar que tudo que desfrutamos é atribuído ao “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais no lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Estas bênçãos são ampliadas no cap. 1 da carta, e notamos que Deus “nos abençoou” (v. 3), “nos elegeu” (v. 4); “nos predestinou” (v. 5); “nos fez agradáveis a si no amado” (v. 6) etc.

Ocupar um lugar de tamanha intimidade é realmente precioso. Ter certeza disto, e saber que nada pode nos deslocar desta intimidade, é igualmente precioso. Tal segurança vem através do ministério bondoso do Espírito Santo. Em Gálatas 4:6 lemos: “Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”, e esta mesma verdade é confirmada pela afirmação de Romanos 8:14: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Esta posição privilegiada traz grandes responsabilidades. “Se invocais por Pai” (I Pe 1:17), muitas responsabilidades repousam sobre nós,particularmente com relação à obediência. Nossa experiência espiritual começou por obedecermos o Evangelho. O Salvador ensinou aos Seus: “Se me amais, guardai os meus andamentos” (Jo 14:15). É trágico quando a conduta de cristãos não endossa a sua posição como filhos da família de Deus. Há uma dignidade associada com filiação, e o reconhecimento disto deveria controlar nossas vidas para vivermos de uma maneira que traga glória ao nosso Pai. Devemos sempre ter em mente a exortação do Salvador: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16); e novamente: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:48).

HOMICÍDIO, GENOCÍDIO, FEMINICÍDIO, SUICÍDIO, etc..

O índice que cresce não é de um tipo apenas de assassinato, mas de morte generalizada: contra os outros e contra si mesmo. De quem é a culpa? Apontar culpados sempre foi a maneira mais fácil de achar que se está fazendo algo. Aliás, fazer proliferar o sentimento de culpa é algo que o ser humano faz com maestria, em todos os setores e relações. Porém, a grande “culpa” está na essência má do ser humano que é egocêntrico e inclinado a todo tipo de disputa, ganância, competição e vinganças: retrato irrefutável da nossa sociedade. A bondade humana precisa ser “restaurada”.

A gente pode até falar de acordo, consertos e paz. Mas a solução absoluta, sem puxar apenas um cliché ou ser simplista, é o AMOR. E de todos os tipos de amores que conhecemos (erótico, amizade etc), o absoluto é o amor “divino” (o amor do termo grego “ágape” ou “agápen”; quando se ama incondicionalmente): demonstrado por Deus ao se fazer gente e doar a sua vida por nós, merecedores do oposto.

O apóstolo João assim conceituou este amor ágape: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos”.

Se caminharmos nas trilhas verdadeiras da compaixão, do altruísmo, do perdão, da autodoação (sacrificando-se, quando necessário, pelo bem-estar do outro), cuidaremos melhor das pessoas e de nós mesmos, e ainda educaremos uma sociedade pelo exemplo de quem está aprendendo a valorizar a vida e a própria existência.

É certo que temos uma luta sistêmica contra a injustiça, a violência, o terror etc. Mas a raiz de todo sistema está no coração do ser humano – este cria o “sistema”. O ser humano está cheio de informações, mas vazio de sabedoria. Insensível ao que chora, perece, carece e até aos clamores do seu próprio coração.

O mesmo apóstolo João, já citado, resumiu mais categoricamente sua conceituação ao afirmar que “DEUS É AMOR” . Portanto, para se combater esta “onda” histórica e até cíclica de guerras, assassinatos e mortes, há que se encher de Deus, de Sua vida abundante. Isso se dá pelo Seu Espírito, mediante a fé em Jesus – expressão mais visível de um amor perfeito. E, por favor, conquanto tenha um elemento religioso nesta afirmação, estou me referindo à experiência inefável com Deus: sem fórmulas mágicas e sem atitudes coreograficamente institucionalizadas. Amor que se manifesta em seus frutos relacionais.

Fora disso, as estatísticas piorarão previsivelmente e imperarão o desespero, o desassossego, a fome e disputa por dinheiro, poder e posses e, consequentemente, a morte contra tudo e contra todos: seja por questões de políticas, gênero, relacionamentos, religião, etc. É fato que para se obter riqueza e poder o ser humano é capaz das maiores crueldades (leves, veladas, pesadas e públicas). Vende à própria alma…

Por isso, dia a dia, todos nós, sem exceção, somos chamados pela vida e, implícita e explicitamente, por Deus, a sermos transformados e agentes de transformações. Se Deus – DEUS MESMO: O Eterno – estiver no nosso “meio”, uma capacitação extraordinária pode vir sobre nossas mentes e corações e transformar nossos alvos pessoais, nossas relações e os setores da sociedade nos quais estamos inseridos e com os quais nos envolvemos. Certamente veremos vida e paz conquistando terror e morte.

Homicídio, genocídio, feminicídio, suicídio etc. Se considerarmos honestamente quem somos, o que sentimos, do que carecemos, concluindo que se passa o mesmo com as outras pessoas de todas as classes, culturas e gêneros, cuidaremos mais atentamente de nossas mentes e corações, e mais fraternalmente das pessoas com quem convivemos e com quem cruzados na estrada da vida. Vida e paz a todos!

NADA FALTARÁ, NÃO FALTARÁ!

Em nossa cultura viciada em pressa e enferma por estresse, descanso é um dos anseios mais profundos da alma. Nesta sociedade freneticamente impulsionada pelo consumo e pela preocupação com o não ter, provisão é o remédio mais tranquilizador para a mente e o coração.Mas há, porventura, alguma possibilidade de se encontrar descanso e provisão que não sejam manipulações provisórias vendidas pela indústria da terapia, das drogas – sejam remédios ou não – e do crédito? Há algo que seja acessível e aplicável à nossa vida tão repleta de carências existenciais tão legítimas e tão presentes? Há. Claro que há. Na contramão de toda a cultura barganhadora que nos cerca está a Fonte para os nossos suprimentos existenciais: a gratuidade da provisão Divina. A graça de Deus encarnada e revelada em Jesus Cristo fornece os benefícios para a paz e o sossego da mente e do coração.

“O Senhor é o meu pastor,
nada me faltará” — Salmos 23:1

São muitos os testemunhos – bíblicos, da história e da vida – de pessoas que vivendo a intensidade de suas angústias pessoais, descobriram na experiência do encontro com Jesus a provisão e o descanso pelo que tanto ansiavam. Na jornada do Caminho com o Senhor descobrimos que nada nos faltará. Este momento pode ser a sua oportunidade de vivenciar tão grande experiência. 

“Alguém tem sede? Venha e beba, mesmo que não tenha dinheiro! Venha, beba vinho ou leite; é tudo de graça!” — Isaías 55:1-2