A PATERNIDADE DE DEUS

Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temerem, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: “Aba Pai”.” (Rm 8:15)


“A paternidade de Deus é um das grandes doutrinas fundamentais da Bíblia. É uma verdade preciosa que permeia todas as Escrituras, é abrangente e atrativa na amplitude da sua apresentação, e uma compreensão completa do seu ensino é essencial para uma apreciação de tudo o que o povo de Deus desfruta através das “abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (Ef 2:7). Da mesma forma, é básica para endossar a verdade da filiação eterna do Senhor Jesus, um fato que está constantemente sob ataque e é repetidamente questionado. Este é um assunto que abrange toda a eternidade, é vital para tudo que a Palavra de Deus apresenta, tanto doutrinariamente como em relação às dispensações, e é muito desafiante e ao mesmo tempo confortador na sua aplicação prática. Em vista da abrangência e amplitude do assunto, devemos considerá-lo sob seus aspectos principais e variados.“ (J. Palmer)

Deus tem muitos títulos. Por exemplo, o primeiro título usado na Bíblia é Eloim (Gn 1:1), que ocorre cerca de duas mil e quinhentas vezes ao todo, e fala principalmente do Seu poder. Outro título é Adonai, que representa Deus como Soberano, Senhor, Mestre, e salienta Suas posses. Jeová e os títulos derivados refletem os atributos da Suapessoa e provisão. El Shaddai retrata o esplendor da Sua preeminência. O título usado em Efésios 1:17, “o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória”, revela a totalidade das Suas características paternas.

JESUS REVELA O PAI
R.C. Sproul observa algo no início de sua análise da oração do Pai Nosso a partir da perspectiva deste “nosso Pai” da seguinte maneira: “O estudioso alemão Joachim Jeremias argumentou que em quase todos os orações que Jesus profere, no Novo Testamento, Ele se dirige a Deus como Pai. Para ter certeza, os judeus usam o termo “Pai” indiretamente por se dirigir a Deus como o Pai de pessoas, mas nunca por meio de um tratamento direto, no qual o orante se dirige a Deus em termos pessoais como “Pai”…o uso de Jesus do termo “Pai” na oração pessoal é um uso extraordinário.”
Muito da base doutrinaria para o ensino em torno da “Paternidade de Deus” vem do Filho, e em especial das diversas maneiras como Ele se dirigia ao Pai. Estas formas de se dirigir ao Pai fornecem amplas evidências do relacionamento Pai/Filho que é tão precioso para os que, através da regeneração, pertencem à família de Deus.

ABENÇOADOS INDIVIDUALMENTE
A bênção individual do cristão é uma verdade que é apresentada na carta aos Efésios. De acordo com o Seu caráter celestial, precisamos lembrar que tudo que desfrutamos é atribuído ao “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais no lugares celestiais em Cristo” (Ef 1:3). Estas bênçãos são ampliadas no cap. 1 da carta, e notamos que Deus “nos abençoou” (v. 3), “nos elegeu” (v. 4); “nos predestinou” (v. 5); “nos fez agradáveis a si no amado” (v. 6) etc.

Ocupar um lugar de tamanha intimidade é realmente precioso. Ter certeza disto, e saber que nada pode nos deslocar desta intimidade, é igualmente precioso. Tal segurança vem através do ministério bondoso do Espírito Santo. Em Gálatas 4:6 lemos: “Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”, e esta mesma verdade é confirmada pela afirmação de Romanos 8:14: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus”. Esta posição privilegiada traz grandes responsabilidades. “Se invocais por Pai” (I Pe 1:17), muitas responsabilidades repousam sobre nós,particularmente com relação à obediência. Nossa experiência espiritual começou por obedecermos o Evangelho. O Salvador ensinou aos Seus: “Se me amais, guardai os meus andamentos” (Jo 14:15). É trágico quando a conduta de cristãos não endossa a sua posição como filhos da família de Deus. Há uma dignidade associada com filiação, e o reconhecimento disto deveria controlar nossas vidas para vivermos de uma maneira que traga glória ao nosso Pai. Devemos sempre ter em mente a exortação do Salvador: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16); e novamente: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:48).